O Cantinho da Baía é o canto interior e suave da baía do Baleal, e possivelmente a sala de aula de surf mais movimentada da Europa. Picos macios sobre fundo de areia rolam até uma praia larga onde se caminha sem esforço, os surf camps alinham-se na duna atrás, e em qualquer manhã de verão a espuma enche-se de pranchas de esponja e de primeiras ondas. Meio continente apanhou aqui a primeira onda, e a baía faz com que pareça fácil porque, na maioria dos dias, é.
Se funciona tantas vezes, é pela forma da costa. A península de Peniche dobra a linha de costa num ângulo reto: quando as praias abertas estão demasiado grandes ou desfeitas pelo vento, a baía escondida atrás do Baleal é quase sempre o lado abrigado e organizado. O oceano pode exagerar em todo o lado e o Cantinho continua a desenrolar em tamanho de aprendizagem. É exatamente por isso que as escolas plantaram as pranchas nesta duna e não noutra.
Iniciante
Onda
Ondas mansas de beach break sobre areia numa baía ampla
Melhor ondulação
Ondulação de NO amaciada pela baía. Quando o Supertubos passa bem da cabeça, o Cantinho anda pelos 0,5 a 1 m
Melhor vento
De S a SE de manhã. A baía é a opção calma na maioria dos dias
Melhor maré
Todas as marés funcionam. A meia maré costuma desenhar os bancos mais amáveis
Época
Todo o ano para aprender. De maio a setembro é pequeno e soalheiro, o outono acrescenta força
Nível
Iniciantes acima de tudo, quem está a evoluir nos picos de fora
Como parte a onda
Perto da areia, o Cantinho é uma fábrica de espuma. As ondas partidas reformam-se e rolam longas e direitas sobre um fundo de areia que desce tão devagar que vais a pé até às tuas primeiras ondas. Essa combinação, empurrão sem pancada, é o que enche a baía de escolas de surf. Uma primeira onda aqui costuma levar-te até à areia, que é exatamente o que uma primeira onda deve fazer.
Mais ao largo, os picos levantam-se em ombros verdes a sério, paredes pequenas que descascam para a esquerda e para a direita e dão as primeiras curvas a quem está a evoluir, sem nunca ficarem más. A areia muda ao longo do ano, por isso o melhor banco passeia pela baía, mas quase sempre há um pico a funcionar nalgum sítio. Aqui progride-se depressa por uma razão simples: a onda é suave o suficiente para perdoar todos os erros, e frequente o suficiente para te dar a próxima tentativa trinta segundos depois.
O promontório da Papôa, na ponta norte selvagem de Peniche, a poucos minutos da calma da baía
Quando funciona
A baía ensina todo o ano, mas muda de carácter com as estações. De maio a setembro o Atlântico manda pulsos pequenos e regulares, o sol faz o resto, e o Cantinho passa meses inteiros à volta de 0,5 m: condições ideais para uma primeira onda, e é por isso que o verão é a época alta das escolas. A partir de outubro chegam as ondulações de outono e a baía ganha força a sério. Quem está a evoluir encontra paredes de 0,5 a 1 m nos bancos de fora, enquanto os iniciantes ficam simplesmente no inside, onde a baía continua o seu trabalho de amaciar, e o inverno ainda deixa muitos dias bons para aprender entre tempestades. Uma coisa nunca muda: a água continua atlântica, uns 19°C no máximo no fim do verão e à volta de 14°C no inverno, por isso a borracha conta aqui em todos os meses do ano.
O line-up e o take-off
A baía divide-se sozinha. As escolas trabalham a espuma do inside em pequenas frotas, quem surfa por conta própria apanha as reformas e os picos pequenos pelo meio, e as paredes mais verdes lá fora são de quem rema por elas. Ninguém fiscaliza as zonas, mas leem-se facilmente da praia: observa dois minutos antes de entrar e escolhe um troço de areia com espaço, que quase sempre existe.
As regras aqui são simples e vale a pena aprendê-las bem, porque são as mesmas em qualquer sítio onde venhas a surfar. Mantém distância dos outros, segura a tua linha quando estiveres de pé em vez de saltares, e controla a tua prancha: as pranchas soltas são o prato principal desta baía, e um leash não torna inofensiva uma prancha de esponja de 2,7 m. Aprende a olhar por cima do ombro antes de remares, aprende quem tem prioridade, e o Cantinho ter-te-á ensinado muito mais do que pôr-te de pé.
Como chegar
A baía dá para o istmo do Baleal, a estreita passagem de areia que liga a vila-ilha ao continente, e o acesso não podia ser mais simples: estaciona no istmo ou na estrada atrás da duna e entra na baía por onde quiseres. O areal é largo com qualquer maré, e a caminhada faz parte do prazer. A cidade de Peniche fica a dez minutos de carro, com supermercados, lojas de surf e os restaurantes do porto, e Lisboa a cerca de uma hora para sul pela A8, e é por isso que tanta gente faz a primeira aula de surf numa ida e volta desde a capital. Sem carro, há autocarros de Peniche, e na época a maioria dos surf camps leva os hóspedes para o lado da península que está a funcionar.
Perigos
As manhãs de verão trazem multidões de iniciantes e pranchas soltas: dá a todos o dobro do espaço que achas necessário
Nos dias maiores de outono correm agueiros ao longo da baía: pergunta nas escolas onde estão antes de remar
Água fria todo o ano: um 3/2 no verão, um 4/3 no inverno, e ninguém se arrepende da borracha a mais
Dias longos de aulas em pleno sol: o brilho do Atlântico queima mais depressa do que a temperatura do ar sugere, põe protetor antes de cada sessão
Este spot faz parte do guia de Peniche
Um guia honesto para surfar Peniche: Supertubos, as baías de aprendizagem do Baleal, os 8 spots que importam e a ida às gigantes da Nazaré, com a época mês a mês.
É uma das melhores praias da Europa para uma primeira onda, e é exatamente por isso que as escolas estão aqui. O fundo de areia desce em rampa suave, a baía amacia o que o oceano estiver a fazer lá fora, e a espuma rola longa e direita: uma primeira aula costuma acabar com várias ondas surfadas até à areia. A ressalva honesta é a companhia: em julho e agosto partilhas a baía com centenas de pessoas a aprender o mesmo. Vem cedo, ou vem em junho ou setembro, e a sala de aula esvazia-se.
Preciso de fato no Cantinho da Baía?
Sim, todo o ano. O Atlântico aqui chega no máximo a uns 19°C no fim do verão e desce até uns 14°C no inverno, frio que chega para uma hora de quedas sem borracha deixar de ter piada. Um 3/2 cobre do fim da primavera ao outono, um 4/3 trata do inverno, e as escolas incluem o fato em todas as aulas: só precisas do teu se surfares por conta própria.
Aula de surf ou aprender sozinho?
Na primeira vez dentro de água: marca a aula. As escolas sabem que bancos estão a formar as ondas mais amáveis nessa manhã, por onde correm os agueiros, e como te pôr de pé numa hora em vez de num fim de semana. Depois de uma aula ou duas, a baía lê-se bem sozinho: aluga uma prancha de esponja, fica no inside e usa as regras que te ensinaram. O Cantinho perdoa o suficiente para que ir sozinho seja um prazer e não um risco, o que é mais do que a maioria das praias pode dizer.