Dobra um mapa da Costa Rica e a Península de Nicoya é o braço que mais se estica para dentro do Pacífico: uns bons cem quilómetros de areia dourada, estradas de pó e selva que cresce até à linha da maré, desde as areias das tartarugas de Playa Grande até à última rua poeirenta de Santa Teresa. Esta é a costa que o Endless Summer II levou ao ecrã em 1994, no país que responde a quase tudo com pura vida. Os macacos uivadores tratam dos despertadores, as iguanas vigiam as praias, e Nicoya é uma das cinco zonas azuis do mundo, esses lugares onde as pessoas se esquecem tranquilamente de parar de viver. Ninguém sabe dizer se foi o surf que fez este modo de vida ou o contrário.
As regras aqui são simples e inegociáveis. Há duas estações, não quatro: de dezembro a abril o vento Papagayo sopra offshore sobre ondulações nascidas longe, a noroeste, e de maio a novembro chegam longas ondulações de fundo de sul sob manhãs calmas e vítreas, antes da chuva da tarde. A água mantém-se entre 26 e 29 graus todos os meses do ano; o fato de surf é coisa que os outros vestem. E as manhãs são tudo, porque lá para as dez o vento acorda e o dia já deu o que tinha para dar. Surfa de madrugada, dorme ao meio-dia e volta à água quando o céu acender o seu fogo de fim de tarde.
Melhores meses
Bom todo o ano: de dezembro a abril pelas manhãs offshore, de maio a novembro pela ondulação de sul
Água
26 a 29°C todo o ano: calções, quando muito um fato curto para a madrugada no início do ano
Níveis
Da espuma de Sámara à laje de Playa Negra
Como chegar
Voa até Liberia para o canto de Tamarindo e Nosara; a Santa Teresa chega-se desde San José com ferry e estrada de terra
Meia hora de costa que cobre uma vida inteira de surf: primeiras ondas dentro da baía de Tamarindo, um pico para cada humor em Avellanas, tubos do outro lado do estuário em Grande e um exame sobre laje na Negra. Instala-te em qualquer ponto do canto e deixa a ondulação de cada manhã escolher a praia.
Playa Grande
Las Baulas · Beach break
Intermédio
A vizinha séria de Tamarindo, do outro lado do estuário, e a melhor onda do canto quando a meia maré se junta a uma ondulação de sul: picos rápidos e cavados sobre bancos de areia que aguentam bem acima da cabeça. A praia pertence ao Parque Nacional Las Baulas, onde as tartarugas-de-couro desovam de outubro a março: na época, o acesso fecha à noite e a areia continua selvagem. Atravessa desde Tamarindo com um dos barqueiros do estuário ou conduz a dar a volta. Não atravesses o canal a nado: os crocodilos não são um boato.
Tamarindo
Tamarindo · Beach break suave
Iniciante
A vila onde meio mundo apanhou a primeira onda, e continua a fazer esse trabalho tão bem como qualquer outra: picos suaves a rolar dentro da baía, água de banheira, uma prancha de espuma debaixo de um braço em cada dois. As escolas alinham-se na areia e a multidão faz parte do acordo, mas a onda perdoa quase tudo. A foz na ponta norte acorda com mais ondulação; também é a porta de casa dos crocodilos, por isso leva os avisos do estuário à letra e fica de fora ao entardecer. Quando a vila ficar barulhenta, esperam-te ondas mais calmas a quinze minutos em qualquer direção.
Playa Avellanas
Santa Cruz · Picos de areia e recife
Iniciante
Quinze minutos de estrada de tábua de lavar a sul de Tamarindo compram-te uma praia com um pico para cada humor: bancos suaves em frente ao Lola's para quem está a evoluir, bancos mais rápidos espalhados pela areia, e um recife ao largo a que os locais chamam Little Hawaii, que dobra o tamanho da ondulação que chegar. O mangal por trás mantém os prédios à distância: mesmo com o estacionamento cheio, ainda sabe a passeio. Pede um coco no bar de praia entre sessões e deixa a sombra para a porca residente.
Playa Negra
Los Pargos · Direita sobre laje
Avançado
A direita que roubou a sua cena no Endless Summer II, e continua a partir sobre a mesma laje de rocha pouco funda. É uma viagem curta e intensa: um drop empinado, um tubo se traçares a linha de imediato, e um inside que cobra pele a quem se distrai. Quer meia maré e uma ondulação decente; com a maré vazia é mais geologia do que surf. O grupo local é pequeno, talentoso e já viu todos os erros de visitante: espera pela tua vez e tem o sorriso à mão.
Um surfista abre caminho entre os troncos em Playa Tamarindo
O meio selvagem
Entre a Negra e Nosara o alcatrão desiste e a costa esvazia-se. Marbella transforma ondulação sem dono em picos cavados, e logo a norte, Ostional encena as arribadas, quando dezenas de milhares de tartarugas-oliva saem a terra em poucas noites. Aqui fora, planeia-se à volta de combustível, água e luz do dia.
Marbella
Santa Cruz · Beach break cavado
Avançado
O troço vazio entre a Negra e Nosara, que junta mais ondulação do que tudo à volta e a dobra em cunhas cavadas e mutáveis. No seu dia é o melhor beach break da península, partilhado com três surfistas e um esquadrão de pelicanos. As correntes trabalham a sério, o socorro fica longe e não há uma única loja ao fim da estrada de terra: leva água, um leash de reserva e um amigo. Se da areia parecer demasiado, acredita na areia.
Água quente e companhia no line-up, costa do Pacífico da Costa Rica
Nosara e o sul suave
Guiones apanha tudo e perdoa quase tudo: foi assim que Nosara se tornou a capital do longboard e do ioga do país. Uma hora a sul, a baía abrigada de Sámara é a sala de aula mais amável da península. Juntas explicam toda aquela gente que veio por uma semana e ainda cá está.
Playa Guiones
Nosara · Beach break longo de areia
Iniciante
O prato forte de Nosara e a onda mais fiável deste guia: cinco quilómetros de areia que apanham quase todas as ondulações do Pacífico. Os picos de fora dão paredes longas a longboards e shortboards por igual, o inside é uma sala de aula imensa e paciente, e a faixa de selva atrás das dunas faz com que saias das árvores direto para o line-up. Ioga às quatro, macacos uivadores às cinco da manhã seguinte: sim, é exatamente o cliché, e o cliché funciona. A multidão é real, mas cinco quilómetros absorvem muita gente.
Playa Sámara
Sámara · Onda de baía abrigada
Iniciante
Um recife atravessado na boca da baía coa o oceano antes de ele chegar à areia: o que entra é pequeno, arrumado e paciente. É aqui que as famílias ticas vêm aprender, e a praia condiz com a onda: suave, sem pressa, ceviche debaixo das palmeiras. Quando a espuma já não tiver nada para te ensinar, caminha para norte até à foz de Buena Vista para um pico honesto de mar aberto. O pôr do sol aqui conserta qualquer dia sem ondas.
Um barco de pescador na areia de Playa Sámara
O fim da estrada
Santa Teresa está pendurada na ponta da península, a um ferry e uma estrada de terra de tudo o resto, o que filtrou a multidão até o segredo se saber. A recompensa não mudou: ondulação quase todos os dias, bancos de areia que entubam e pores do sol que param a rua inteira.
Santa Teresa
Cóbano · Beach break rápido
Intermédio
O fim da estrada de terra e a razão pela qual as pessoas enfrentam o ferry: picos rápidos e com génio que entubam quando os bancos se alinham, com ondulação quase todos os dias do ano. A vila é uma única rua poeirenta de lojas de surf, bares de batidos e moto-quatro, e a praia faz o trabalho a sério cinquenta metros atrás. A madrugada é a tua janela; a meio da manhã o vento acorda e junta-se-te toda a gente que dormiu demais. Na época verde, o caminho para lá chegar faz parte da aventura: muita distância ao solo, poucas expectativas, e vê o rio antes de o atravessar.
Pôr do sol e uma rede debaixo das palmeiras, costa do Pacífico da Costa Rica
Quando ir
Península de Nicoya: um ano de ondas
Condições típicas, mês a mês. O oceano não assinou esta tabela: para ondas, vento e maré em direto, abre a app.
Janeiro
0,5-1 m
27°C · calções · Todos os níveis
Época alta a todo o gás: o vento Papagayo penteia cada pulso de noroeste em linhas limpas, e as manhãs parecem feitas por medida.
Fevereiro
0,5-1 m
26°C · shorty · Iniciante
O mês mais seco e mais pequeno, e o afloramento pode arrefecer a água uns graus surpreendentes. Quem está a aprender leva a melhor parte.
Março
0,5-1 m
26°C · shorty · Todos os níveis
O calor aperta, o pó assenta em tudo e os primeiros pulsos de sul esgueiram-se. Se a Páscoa calhar em março, reserva com muita antecedência.
Abril
1-1,5 m
28°C · calções · Todos os níveis
A dobradiça do ano: os ventos abrandam, a ondulação de sul torna-se regular e as primeiras chuvas lavam o pó das árvores.
Maio
1-2 m
29°C · calções · Todos os níveis
A costa fica verde numa semana. Manhãs vítreas, chuva a meio da tarde e ondulação que simplesmente não para.
Junho
1-2 m
29°C · calções · Intermédio
Ondulação de fundo de sul constante e menos gente. O ritmo escreve-se sozinho: surfar cedo, dormir a sesta durante a chuva, repetir.
Julho
1-2 m
28°C · calções · Todos os níveis
O veranillo, um pequeno verão dentro da época verde, costuma oferecer duas semanas secas e soalheiras com ondulação a condizer.
Agosto
1-2 m
28°C · calções · Intermédio
Os pulsos de sul chegam uns atrás dos outros. Em Ostional começam as grandes arribadas: vê a lua e vai assistir às tartarugas a chegar.
Setembro
1,5-2,5 m
28°C · calções · Avançado
Começa o mês maior, e o mais chuvoso. Picos vazios acima da cabeça entre aguaceiros, e a estrada para Santa Teresa começa a testar os carros alugados.
Outubro
1,5-2,5 m
28°C · calções · Avançado
O pico das chuvas: os rios atravessam as estradas e parte de Nosara adormece. A recompensa por ficares é o melhor surf do ano, sozinho.
Novembro
1-2 m
28°C · calções · Todos os níveis
A costa escorre-se, as estradas firmam e as primeiras tartarugas-de-couro voltam à Playa Grande. Um mês discretamente excelente.
Dezembro
1-1,5 m
28°C · calções · Todos os níveis
Os Papagayos voltam e as manhãs ficam offshore em todo o lado. Antes de as multidões das festas aterrarem a meio do mês, está perto do perfeito.
Bom saber
Qual é a melhor altura para surfar na Península de Nicoya?
Não há mês errado, só sabores diferentes. De dezembro a abril é a estação seca: ondulação de noroeste mais pequena, ventos offshore Papagayo e manhãs de postal, ideal para aprender e para o longboard. De maio a novembro é a época verde, quando chegam longas ondulações de fundo de sul e a madrugada está vítrea antes da chuva da tarde; setembro e outubro são os maiores, os mais chuvosos e os mais vazios. Seja qual for o mês, surfa cedo: o vento aparece a meio da manhã quase todos os dias.
A Península de Nicoya é boa para iniciantes?
É um dos melhores lugares do mundo para aprender. A baía de Tamarindo serve ondas suaves com uma escola a cada cinquenta metros, a Playa Guiones em Nosara tem um inside de areia imenso onde a espuma rola sem fim, e a baía abrigada de Sámara é a sala de aula mais calma de todas. A água é tão quente que uma aula de duas horas passa a voar, e as ondas pequenas e limpas da estação seca são feitas para os primeiros take-offs.
Preciso de fato de surf na Costa Rica?
Não. O Pacífico aqui mantém-se entre 26 e 29°C todo o ano, e os calções ou o fato de banho com uma licra contra o sol são o uniforme de todos os meses. A única nuance: de janeiro a março, mais coisa menos coisa, o afloramento empurrado pelos ventos Papagayo pode arrefecer por uns dias as praias do norte uns graus, e as sessões de madrugada sabem mais frescas; um fato curto ou um top de neoprene é o máximo que alguém leva. Traz mais protetor solar do que borracha.
Preciso de um 4x4 na Península de Nicoya?
Na estação seca, o alcatrão chega a Tamarindo e a Sámara, e com condução cuidadosa chegas a quase todo o resto por terra batida de tábua de lavar. Na época verde a conta muda: as estradas para Avellanas, Marbella, Nosara e sobretudo Santa Teresa misturam lama, vaus e buracos, e a distância ao solo deixa de ser um luxo. Pergunta aos locais pelos atravessamentos de rio depois de chuva forte, guarda luz do dia para a viagem e encara o ferry de Puntarenas como parte das férias e não como um obstáculo.